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RYUKO

Muitos anos atrás, minha família migrou de Tóquio para o Brasil devido aos problemas de guerra.
Embarcamos no último navio saindo de Yokohama, com destino à Santos. Depois, ninguém mais saía ou entrava. Havia certas regras impostas:
1º A família, para imigrar, teria que levar um adulto para assistir em caso de emergência.
2º Um infante tem que ter idade mínima de 6 meses.
3º No caso de não haver um acompanhante adulto para viajar junto, o pai teria que saber falar uma língua estrangeira.
Ninguém da minha família se manifestou em ir conosco. Meu pai então, com a ajuda de um professor de inglês, aprendeu uma palavra: “EVERY BODY”.
Quando já em alto mar houve a primeira inspeção. Minha mãe teve que provar que o filho menor, então com 3 meses, tinha 6 meses. Ela tinha providenciado 2 registros de nascimento para meu irmão de 3 meses. Conseguiu passar a primeira prova; e a segunda.
Na terceira, meu pai foi requerido para seu conhecimento de inglês. Ele levantou determinado a vencer e disse com toda coragem: “EVERY BODY” 3 vezes.
Foi aceito e até aplaudido porque os japoneses não falavam inglês. Acharam que meu pai falava inglês muito bem.
Os primeiros anos no Brasil foram muito difíceis, principalmente porque foram atirados no mato sem nenhuma assistência ou dicas a seguir. Consegui comprar uma casa numa cidade chamada Marília, onde estudamos e crescemos.
Todos nós formamos como contadores, mas 3 de nós fomos trabalhar em outras profissões:
O mais velho, agora com nome brasileiro Hélio, foi aos Estados Unidos estudar engenharia.
O segundo irmão, agora conhecido como José, tornou-se advogado.
Eu, a terceira da família, trabalhei sempre como secretária: American Express, Ford Willys e General Motors.
Filhos e netos
Do Hélio, 2 filhos formados no Dante, sem empregos, vivem de herança. 1 neto na Uni.
Do José, duas filhas, uma dentista, outra dona de casa.
	De mim, Ryuko, uma filha doutora em medicina alternativa, um neto em NY estudando business studies. Um filho, antigo campeão em dardos, mudou para Snooker, casado sem filhos.
No momento estou morando num residencial para terceira idade muito especial, onde abunda respeito, ordem, organização, entretenimentos, sorrisos, alegria e muitas festas. Recomendo a todas as pessoas que procuram algo semelhante.

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2026

Muitos anos atrás, minha família migrou de Tóquio para o Brasil devido aos problemas de guerra.
Embarcamos no último navio saindo de Yokohama, com destino à Santos. Depois, ninguém mais saía ou entrava. Havia certas regras impostas:
1º A família, para imigrar, teria que levar um adulto para assistir em caso de emergência.
2º Um infante tem que ter idade mínima de 6 meses.
3º No caso de não haver um acompanhante adulto para viajar junto, o pai teria que saber falar uma língua estrangeira.
Ninguém da minha família se manifestou em ir conosco. Meu pai então, com a ajuda de um professor de inglês, aprendeu uma palavra: “EVERY BODY”.
Quando já em alto mar houve a primeira inspeção. Minha mãe teve que provar que o filho menor, então com 3 meses, tinha 6 meses. Ela tinha providenciado 2 registros de nascimento para meu irmão de 3 meses. Conseguiu passar a primeira prova; e a segunda.
Na terceira, meu pai foi requerido para seu conhecimento de inglês. Ele levantou determinado a vencer e disse com toda coragem: “EVERY BODY” 3 vezes.
Foi aceito e até aplaudido porque os japoneses não falavam inglês. Acharam que meu pai falava inglês muito bem.
Os primeiros anos no Brasil foram muito difíceis, principalmente porque foram atirados no mato sem nenhuma assistência ou dicas a seguir. Consegui comprar uma casa numa cidade chamada Marília, onde estudamos e crescemos.
Todos nós formamos como contadores, mas 3 de nós fomos trabalhar em outras profissões:
O mais velho, agora com nome brasileiro Hélio, foi aos Estados Unidos estudar engenharia.
O segundo irmão, agora conhecido como José, tornou-se advogado.
Eu, a terceira da família, trabalhei sempre como secretária: American Express, Ford Willys e General Motors.
Filhos e netos
Do Hélio, 2 filhos formados no Dante, sem empregos, vivem de herança. 1 neto na Uni.
Do José, duas filhas, uma dentista, outra dona de casa.
De mim, Ryuko, uma filha doutora em medicina alternativa, um neto em NY estudando business studies. Um filho, antigo campeão em dardos, mudou para Snooker, casado sem filhos.
No momento estou morando num residencial para terceira idade muito especial, onde abunda respeito, ordem, organização, entretenimentos, sorrisos, alegria e muitas festas. Recomendo a todas as pessoas que procuram algo semelhante.

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